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Este espaço é destinado a todos aqueles que buscam a elevação espiritual e também colaborar com a elevação espiritual do planeta. Transformando este mundo em um mundo de paz e luz. Isto de forma simples e direta de modo que qualquer pessoa possa seguir as instruções e transformar-se em um Trabalhador da Luz.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Confiança e Fé


                Tenham confiança naquilo que lhes vem através do Poder da Vontade Divina, pois serão estas as oportunidades que haverão de lhes servir aos avanços na caminhada que estão empenhados em realizar. Não cultivem a dúvida em relação ao que propaga à Luz, pois muitos são os condicionamentos da mente inferior que podem afastá-los do que de fato tenderá a lhes favorecer. Desta forma, caso pretendam deixar-se expressar como aquilo que na verdade são, nos seus íntimos mais profundos e na sacralidade de suas vidas, terão de saber examinar e selecionar as peculiaridades do que precisam experimentar. Partindo dos exames mais sinceros que façam, estarão aptos a intercederem em favor de si mesmos, de modo a aliviarem-se de diferentes fardos que a materialidade impõe a quem dela se faz usuário persistente e convicto.

                Não se deixem iludir através de falsas convicções, as quais na maioria das vezes estarão sendo-lhes sugeridas por raciocínios incoerentes e destituídos da verdadeira Sabedoria que deveria predominar nos seus dias. Muitos são aqueles que, embora travem contato com inigualáveis situações que poderiam servir-lhes de fonte de inspiração espiritual, desistem de obtê-las para suas próprias percepções, iludidos que estão com fatos e mecanismos contraditórios, os quais terão efeitos contrários àqueles eventos que excluem de suas ocasiões por enganarem-se com falsas impressões. Precisarão discernir seriamente em torno do que se faz relevante para suas compreensões, pois existem múltiplas possibilidades de ocuparem-se, mas nem todas as ocupações lhes serão benéficas. Tenham certeza disso, porém, ao avaliarem o que deverá lhes fazer ocupados, verifiquem com imparcialidade ao que realmente lhes deve pertencer.
                Inúmeros caminhos lhes são propostos constantemente, mas nem todos eles terão o mesmo valor. Pensem que já é chegado o momento de avançarem nas suas buscas e, para tanto, deem seus impulsos, os quais precisam partir da convicção que se fixará dentro de seus corações. Quando estiverem com dúvidas sobre alguma questão, sem saber se ela é ou não adequada para compor aos seus dias, parem de dar espaço para a confusão mental, que certamente haverá de confundir-lhes ainda mais. Sejam honestos com vocês mesmos neste momento, para analisarem como tem estado sua saúde mental e emocional e se algo novo lhes estiver transmitindo paz de espírito e lhes aliviando das tensões, acreditem em testar com mais aprofundamento ao que aparentemente haverá de lhes libertar das mesmas dúvidas que neste preciso momento ainda persiste com parte de suas manifestações.
                Muitas vezes as dúvidas permanecem enquanto a pessoa não se dá a liberdade de excluí-las, o que não é tão difícil de conseguir fazer, desde que a mente seja apaziguada e as emoções controladas através dos subterfúgios que encontrarão dentro de vocês mesmos. Não há nada que possa lhes comprometer perante as Divinas Leis se houver sinceridade, humildade e amor dentro dos seus corações, pois, mesmo que cometam pequenos enganos, se suas intenções são puras, não há ofensa séria o suficiente que não possa ser digna de perdão. Desta forma, acreditem que somente seus empenhos poderão lhes ajudar a encontrarem aquilo que na verdade estão buscando. No entanto, se não se empenharem o suficiente, correrão o risco de perderem tempo e gastarem energias cultivando situações que não lhes conduzirão a nenhum lugar em particular. Tem que haver fé e, acima de tudo, impulso para a renovação, para que possa haver realização.
                Sejam compassivos e certamente receberão o auxílio de que necessitam a cada momento que clamarem por isso. Estejam entre os misericordiosos e com certeza haverão de obter a misericórdia daqueles que com vocês afinizarão porque estão dedicados em distribuir o bem e a harmonia, o amor e o perdão para todos que por estas expressões da Suprema Compaixão buscam com intensidade e concentração. Nunca deixem de buscar pelo que pode lhes fornecer graus mais elevados de auto-estima e de apreço por suas próprias íntimas personalidades. Continuem insistindo em encontrar o que lhes haverá de depurar, tendo em vista que são espíritos livres que tendem a se engrandecer da Luz que deseja lhes atingir às percepções mais sutis. A Luz está sempre à disposição de quem é puro de coração, desta forma estejam entre os que desejam obter de tal misericordiosa e caridosa ação que os Servidores das Esferas distribuem para o mundo.
                Eliminem todas as dúvidas que eventualmente estejam lhes importunando a razão, mas apenas no que diz respeito a travar contato com as Sagradas Lições que virão a esclarecer seus raciocínios. Afinal, a razão humana tem estado bastante conturbada nestes anos em que a vida material é o que mais inspira à maioria das pessoas a buscarem apenas pelo que pretendem usar como objeto de gozo e satisfação temporários, do tipo que acalma apenas aos sentidos físicos durante algum tempo, estimulando-os a desejarem por mais satisfação, sempre mais, infindavelmente, de modo que há envolvimento repetitivo e constante com o que não pode os libertar. O que pode de fato lhes fazer se tornar mais esclarecidos e mansos para a vida espiritual está além deste tipo de satisfação, porque é duradouro e para sempre se preenche do mesmo valor.

                Apeguem-se ao que lhes dá sustentação para vencerem às armadilhas da vida mundana e materialista, porque somente assim terão chance de obter o que se acrescentará em suas vidas como ganhos eternos, que nunca mais se perderão. Saibam reconhecer às Fontes de Luz que estão iluminando à vida e ensinando a viver com a sobriedade que se faz necessária para que possa haver emancipação e liberdade. Acreditem no Poder do Amor e ele se fará disponível como parte de suas realidades, e nunca causem aversão ao que está impregnado de tal qualidade superior. Venham a nós que estamos ávidos a dar-lhes a assistência de que necessitam a fim de, após algum tempo de esclarecimento, também tornarem-se aptos a oferecer apoio a outros que como vocês desejam tanto se esclarecer e ir além do que é meramente circunstancial e que não se perpetuará como componente de suas vidas espirituais. Venham até nós e lhes doaremos o Amor que nos está sendo dispensado a partir da Sagrada Fonte de todo Amor para que possamos doá-los a todos que venham a nos buscar com a finalidade de obter deste Amor. Estamos sempre ao seu lado, e para que nos encontrem basta que tenham a intenção de nos buscar, sinceros que sejam os seus impulsos, plenos de fé e de convicção pelo que verdadeiramente e com certeza lhes favorecerá.


                                               Mestre El Morya (11/07/2013)

Conteúdo obtido por sintonização através de Valéria Moraes Ornellas, Sacerdotisa da Ordem de Zadkiel e co-fundadora da Editora Sétimo Raio, Rio de Janeiro – RJ, e originalmente publicado em http://shamballaeagrandefraternidadebranca.blogspot.com.br. Se desejar divulgar este texto, favor citar devidamente a autoria e a fonte original da publicação. 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Jaiva-Dharma VII

Jaiva-Dharma VII


Natureza Eterna da Alma e Existência Material

                Este capítulo começa contando a história do acúmulo de bens por Candidasa e sua esposa Damayanti, que viviam em Saptagram, uma cidade mercantil, nas margens do rio Sarasvati. Seus filhos cresceram sob a influência de suas próprias convicções avarentas e tornaram-se egoístas e gananciosos. Quando adultos desejaram tomar os bens dos pais e, para tanto, aspiravam por suas mortes. Em certa ocasião, como resultado de uma confabulação que houve entre eles, decidiram sugerir uma peregrinação aos pais, para Sridhama-Navadvipa. Candidasa e Damayanti aceitaram a proposta e partiram, acompanhados de uma Vaishnavi, mas, quando chegaram a uma cidade já bem distante de sua residência, ficaram sabendo que seus filhos haviam se apossado de todos os seus bens e não permitiriam que eles voltassem mais para casa.
                Desconsolados, passaram um dia inteiro chorando, até que a Vaishnavi que os acompanhava lhes falou: “Não fiquem apegados à sua casa. Vamos! Vocês podem aceitar a vida de Vaishnavas ascetas. Construam um ashram simples, onde Vaishnavas se concentram,  e vivam aí. Os filhos por quem vocês sacrificaram tudo se tornaram seus inimigos, portanto, não há necessidade nenhuma de voltarem para casa”. Apesar de ainda titubearam, acabaram acedendo à proposta e construíram uma nova casa na área de Kuliya-grama. Esta cidade é conhecida como um local sagrado, onde todas as ofensas de quem lá vive são erradicadas. Candidasa em pouco tempo conseguiu juntar algum dinheiro e começou uma pequena loja. Diariamente, o casal servia a algum hóspede, e Candidasa estudava Sri Krsna Vijaya, de Gunaraja Khana.

                Tornando-se extremamente honesto e hospitaleiro, passou a ser muito respeitado na região. Havia na cidade um grhastha-brahmana, chamado Yadava dasaque fazia palestras sobre o Sri-Caitanya-mangala e que, com a esposa, se dedicava fortemente a servir os Vaishnavas. Candidasa e Damayanti sentiram-se inspirados a também o fazerem, e se aproximaram do outro casal. Um dia Candidasa perguntou a Yadava dasa, “o que é a existência material?”. Ao que o outro respondeu com um convite, para irem juntos aoashram de Sri Vaisnava dasa Babaji, que ele sabia ser extremamente erudito. Damayanti quis ir também e, apesar da dúvida que surgiu sobre leva-la, por causa da condição renunciada dos residentes daquele kunja, decidiram que ela iria, porém, a mesma não se aproximaria dos residentes.
              
  Os três então cruzaram o Ganges e alcançaram o Pradyumna-Kunja e, quando lá chegaram, Damayanti prestou reverências e foi sentar-se sobre uma árvore banyan. Yadava dasa e Candidasa adentraram nokunja e reverenciaram a assembleia de Vaishnavas. A fim de apresentar o amigo aos demais, Yadava dasa contou aos outros sua história. Ananta dasa Babaji, um dos Vaishnavas ali reunidos, comentou: “Sim, isso é o que é conhecido como existência material. Aquele que conhece a existência material é realmente sábio, e aqueles que caem no ciclo material da existência são dignos de compaixão”. Candidasa, já muito mais depurado, devido às suas atividades em nytia-sukrti – como hospedar Vaishnavas e ler e escutar os sastras -, de coração manso, pediu que o devoto lhe falasse mais sobre a existência material. Ananta dasa Babaji pediu que Babaji Mahasaya ou Vaisnava dasa pudessem responder à solicitação do visitante, mas, o Paramahamsa Babaji pediu que Ananta dasa passasse as instruções do dia.
                Desta forma, solícito, este devoto começou a explicar que asjivas existem em dois estados: liberado (mukta-dasha) e em apego material (samsara-baddha-dasha). As almas liberadas são plenamente espirituais e dedicam suas vidas ao serviço de Sri Krishna (krsna-dasya). “Elas não residem neste mundo material, mas em algum dos puros mundos espirituais, como Goloka,Vaikuntha ou Vrindavana”, ele afirmou. O apego material leva às concepções de eu (ahamta) e de meu (mamata), impermanentes e irreais, porque a jiva sente o desejo de desfrutar de maya. Tal condição faz com que a pessoa se esqueça da identidade de Bhagavan e de sua própria identidade e transite entre personagens e situações, vagando através da existência material.
Quem se encontra nesse estado de consciência pode, no entanto, desenvolver os empenhos mais favoráveis à aquisição do Supremo Benefício se se associar com pessoas santas (sadhu-sanga) e se render (prapatti) a Krishna. Ele poderá se estabelecer na compreensão de seu dharma eterno, reconhecendo que se manteve afastado deliberadamente do Senhor. “A jiva então volta suas costas para maya e deseja ater Krsna”, o que é a mais profunda verdade. Só não posso aceitar que, conforme colocado no texto, “o único infalível método de cruzar a insuperável existência material é cantar krsna-nama na associação com bhaktas”, pois por realização pessoal, e segundo os Desígnios de Sri Krishna, vivenciei este método sem o conhecimento de Leis Superiores que agora posso acessar por misericórdia da Senda Alquímica. Aquela experiência por si só não me levou diretamente à condição eterna de minha alma, que agora atenho, após reaver minha Consciência Crística, por meio de um processo adicional (e complementar) ao cantar dos Santos Nomes.
Vejo que, sim, é possível cruzar a fronteira do oceano da existência material através do krsna-nama, mas, a materialidade desta Era é tão pronunciada que a mente humana não está sendo suficientemente concentrada para ater a Sri Krishna apenas com uso de tal Sagrado Subterfúgio. Por esse motivo, Bhagavan, por sua compaixão, nos doa também outras alternativas de aquisição da consciência que nos leva a Ele, além dos processos que as quatro Sampradayas Vaishnavas propagam. Afinal, como o próprio texto informa, são raras as almas liberadas e perfeitas que podem ser consideradas completamente pacíficas e exclusivamente devotadas a Sri Narayana, e somente a associação com elas pode oferecer benefícios àqueles que buscam por conhecimento transcendental. Desta forma, o cantar dos Santos Nomes pode ser comprometido por escassez de associações deste tipo no ocidente, de modo que vejo que os bhaktas de Krsna que vivem em corpos materiais, mas cujas existências são categoricamente diferentes dos materialistas, como mencionados por Ananta dasa Babaji, são excessivamente raros neste mundo, e especialmente nos países ocidentais.
O Babaji explica ainda a diferença entre grhastha-bhaktas e tyagi-bhaktas, sendo os primeiros os devotos que se casam e estabelecem lares conscientes de Deus (Krishna), e os segundos os que renunciam à vida familiar. Os grhastha-bhaktas não se deixam apegar por objetos dos sentidos mundanos e todos os membros de uma família deste tipo se aprazem em olhar para a forma da Deidade, em ouvir hari-katha e narrações das vidas de grandes sadhus. Suas narinas se satisfazem em cheirar fragrâncias de objetos oferecidos a Krsna e suas línguas em cantar krsna-nama e em saborear restos de alimentos oferecidos a Sri Krsna. Suas vidas são dedicadas a doar a mesma misericórdia para as outras jivas e ao serviço aos Vaishnavas. O grhastha-bhakta usa de objetos materiais sem se apegar a eles e seus filhos se tornam também Vaishnavas puros.

Ananta dasa Babaji comenta também atitudes de quem é destituído de necessidades materiais (nirapeksa), o que na sociedade atual significa reduzir ao máximo às necessidades, já que em geral não se consegue ser absolutamente livre das outras pessoas e das coisas deste mundo. De qualquer forma, é melhor ser o mais independente possível e usar do que é preciso para agradar a Krsna, e apenas isso. Esta é a condição de vida mais perfeita para esta Era, e mesmo um casamento deve existir com a intenção de estabelecer uma família centrada em Deus. Nessa altura da conversa, Yadava dasa pergunta quais os sintomas de um bhakta que é elegível para renunciar à vida familiar? Liberdade do desejo de se associar com o outro sexo, misericórdia irrestrita para com todos os seres viventes, indiferença à riqueza e cultivo da intenção de ter apenas o necessário (alimentos e vestimentas), amor incondicional por Sri Krishna e liberdade de apegos e aversões são os sintomas mencionados por Ananta dasa Babaji.
Então ele comenta que as vestimentas e o status oficial de renunciante para alguns bhaktas pode ser bem relevante, mas isso não é obrigatoriamente necessário para alguém que de fato renunciou à vida material por completo, exceto se houver dependência da consideração pública de tal condição do devoto. Eventualmente, mostrar-se pertencente à ordem renunciada pode se fazer necessário, a qual somente pode pertencer aquele que tiver adquirido completo controle da mente e dos sentidos. Este renunciante não deve se envolver com nenhum tipo de atividade que exija juntar dinheiro, mesmo que seja a construção de um monastério, onde se instalará a adoração a Deidades ou outros empreendimentos de grande porte. O renunciante deve viver da mendicância e morar em qualquer lugar, que pode ser inclusive uma cabana rústica ou um templo mantido por chefes de família. Percebo claramente, a partir de minhas próprias observações da vida, que, porque a construção de grandes empreendimentos exige muitos recursos monetários, este tipo de atividade tira realmente o foco da pessoa de sua renunciante pregação, que deve ser sempre modesta, desapegada, imparcial e destituída de interesses.
Yadava dasa pergunta a Candidasa se seu questionamento inicial estava respondido e ele, satisfeito, faz alguns comentários que, em síntese, demonstram que compreendera o significado verdadeiro da vida material. Os demais Vaishnavas presentes também demonstram satisfação e aclamam Ananta dasa Babaji, dizendo: “Sadhu! Sadhu!”. O kirtana se estabelece e Candidasa dança em grande êxtase. Ao saírem do kunja, Yadava dasa e Candidasa encontram Damayanti, que os esperava do lado de fora e faz um comentário bem relevante para a conclusão deste ensaio, ela diz: “Porque eu nasci como uma mulher? Se eu tivesse nascido como homem, eu teria entrado no kunja, tomado darshana das grandes almas, e me purificado colocando a poeira dos pés deles sobre minha cabeça”. Considero lamentável o tratamento diferenciado que se dá a corpos masculinos e femininos, em detrimento do fato de a alma em sua real condição liberta deter do mesmo estado liberado de consciência, independente de ser masculina ou feminina.

Postado por Sri Krishna Madhurya às 20:48 Extraído do blog: http://religiaobhagavata.blogspot.com.br/

Jaiva-Dharma VI

Jaiva-Dharma VI


Capítulo 6
Natureza Eterna da Alma, Raça e Casta

                Devidasa, o filho de Lahiri Mahasaya, era professor e sempre esteve convencido de que somente os brahmanas são elegíveis para mukti (liberação). Pertencendo a família de brahmanas, ele também acreditava que somente tal tipo de nascimento permitisse que características brahmínicas fossem estabelecidas. Portanto, ao ouvir o descendente de muçulmanos Kazi Sahib se colocar quanto à sua devoção vaishnava, ele se inquietou, não compreendendo porque os demais vaishnavas e, principalmente, o Babaji Mahasaya devotaram tanto respeito àquela pessoa, tida para ele como de casta inferior. Naquele dia, o Pradyumna-kunja recebeu a visita de outros brahmanas, trazidos de um vilarejo próximo por Devidasa, os quais também questionaram os vaishnavas locais por terem se associado com muçulmanos.
                Foi então organizado um debate entre os brahmanas e os devotos vaishnavas, dirigido por Vaishnava dasa. Krsna Cudamani, um dos visitantes, começou, apresentando uma primeira objeção: “É jati (casta) invariável (nitya)? Hindus e muçulmanos não pertencem a diferentes castas? Os hindus não se tornam decaídos por se associarem com muçulmanos?” Vaishnava dasa explicou que sim, há uma distinção entre castas, mas esse tipo de jati não é eterno. Humanos pertencem a uma única casta, uma mesma espécie, as demais subdivisões dessa unidade são inventadas, e se baseiam em diferenças de linguagem, país, estilos de vestir e cor da pele. Além do que, respondendo a outras questões levantadas por Cudamani, Vaishnava dasa deixou bem claro que qualquer pessoa é elegível para bhakti (serviço devocional), independente do sexo do seu corpo, nacionalidade ou credo de sua família de origem.
                Ele apresenta algumas passagens dos sastras que corroboram com suas colocações, porém, mesmo assim, Cudamani continua a contra-argumentar. Ele quer saber como “o defeito de um nascimento degradado pode ser removido” e se isso pode acontecer sem que haja outro nascimento. Vaishnava dasa, citando novamente passagens dos sastras, afirma que os frutos de atividades de vidas anteriores podem ser destruídos através do cantar dos santos nomes (nama-sankirtana), o que corrobora com o que conhecemos a partir da aplicação das Leis Alquímicas. Recitar mantras, decretos ou outros tipos de afirmações, apelos e orações, causa-precipita conformações sutis da consciência humana que podem levar a quem canta/recita à perfeita sintonização com Sri Krishna e seus Sinceros Servidores.
                Cudamani pergunta por que então estes seres sem casta que cantam hari-nama não podem realizar yajnas e outras atividades brahmínicas, ao que o devoto comenta que tais atividades são materiais, enquanto o cantar dos santos nomes é espiritual. Alguém que está qualificado para exercer a funções espirituais pode não ser elegível para determinadas funções materiais, mas apenas devido a convenções sociais, as quais nada têm a ver com sua qualificação espiritual. Há causas que fazem com que alguém seja suscetível para algum tipo particular de trabalho, o que é fonte da elegibilidade para o karma, enquanto a fonte de elegibilidade parabhakti é tattvika-sraddha, a fé na Verdade Absoluta. Qualidades são atreladas às diferentes naturezas dos varnas (brahmanas,ksatriyasvaisyassudras e antyaja (sem casta), mas elas se desenvolvem no ser humano não apenas de acordo com seu nascimento, pois há muitos fatores responsáveis por isso, os quais, ao longo de uma vida, têm influência sobre as qualificações de uma pessoa para tipos de ação em particular.
                Tattvika-sraddha é a fé pura em Bhagavan, que dá origem à intenção espontânea de atê-lo, sem interesse orgulhoso por prestígio ou outros interesses mundanos. Sraddha é única causa da elegibilidade para bhakti, o que é reforçado na fala de Vaishnava dasa, que cita vários versos do Srimad-Bhagavatam, nos quais o próprio Sri Krishna confirma que o sadhaka que desenvolveu fé em Sua Suprema Personalidade, com desapego das atividades fruitivas, torna-se apto a adorá-lo com amor e fixa determinação. E porque Cadumani sugere a possibilidade de questionar à autoridade desta escritura, o devoto cita também versos do Bhagavad-Gita, que é escritura mais amplamente aceita, e na qual há a confirmação da supremacia de bhakti-yoga. Ele comenta: “Assim que Bhagavan se estabelece no coração, maya, que enlaça as jivas em ilusão, é imediatamente dissipada. Não há necessidade de nenhum outro método de sadhana”.
                Mesmo com tantos argumentos, a mente do brahmana ainda insiste em acreditar que a determinação de castas por nascimento é superior ao processo comentado pelo vaishnava. Este então reforça que fé (sraddha) está na natureza eterna da alma (nitya-dharma), mas a crença na execução dos deveres do sistema de castas está na natureza circunstancial da alma (naimittika-dharma); e explica o significado de sraddha, que é característica do coração que não deseja nada além de servir a Sri Krishna, o que se caracteriza por seu sintoma externo, que é saranagati, rendição ao Senhor Hari. A rendição em si tem seis sintomas: (1) fazer apenas o que é favorável para bhakti (anukulyasya sankalpa); (2) rejeitar o que é desfavorável (pratikulyasya varjanam); (3) fé que Bhagavan é o único protetor (raksisyatiti visaso); (4) dependência completa de Bhagavan (nirbharata); (5) submissão ao Senhor (atma-nivedana); e (6) humildade (karpanya).
                Sraddha nasce de sukrti (atividades piedosas), ele continua explicando, a qual pode ser de dois tipos: nitya-sukrti, ativada a partir do contato com atividades devocionais e devotos; e naimittika-sukrti, produzida por karma-yoga e jnana-yoga.  A primeira é transcendental e eterna, enquanto a segunda é temporária e circunstancial. Atividades devocionais, como limpeza de um templo do Senhor Hari, oferenda de uma lamparina para Tulasi e observação de jejuns no Ekadasi são mencionadas por Vaishnava das. Dentro da Senda Alquímica temos diversas funções co-criativas da Grande Ordem que precisam ser realizadas, e que nos gratificam por estarmos servindo ao Senhor através delas, como a propagação de métodos de depuração e elevação da consciência, a realização de cerimoniais de purificação, o direcionamento de precipitações para que o Plano Divino venha a se manifestar em meio à sociedade humana, dentre outras. Tudo isso, quando realizado, se faz devido à fé e à rendição que nos leva a adquirir as habilidades necessárias para que possamos co-criar conscientemente, segundo as Leis Superiores.
                Para finalizar, os dois ainda travam conversação sobre a suposta diferença que Cudamani insiste em querer ver entre Aryans e Yavanas. Vaishnava dasa diz que a diferença que existe não pertence à realidade absoluta, mas sim a costumes mundanos. Sri Krishna libera a todas as pessoas e, portanto, todos têm igual oportunidade de ater à Suprema Meta da vida. Ele ainda comenta que enquanto alguém permanece um Yavana, vaishnavas não têm interesse na associação com eles, mas quando um deles se torna um vaishnava, ele deixa de ser considerado Yavana; e aponta para o maior valor de um sem casta que tenha adquirido à natureza brahmínica, e se dedica plenamente a servir aos pés de lótus de Sri Krishna, em relação ao brahmana de nascimento que não tenha verdadeiras qualidades brahmínicas. Após tais conclusões, as certezas dos brahmanas ficaram abaladas, e o debate é finalizado.
Postado por Sri Krishna Madhurya às 20:48 Extraído do blog: http://religiaobhagavata.blogspot.com.br/

Jaiva-Dharma V

Jaiva-Dharma V

Capítulo 5
O Serviço Devocional em Nitya-Dharma

                Surgem contradições, causadas pelas incompreensões de mentes condicionadas da família de Lahiri Mahasaya. Seus dois filhos, ocupados com afazeres materialistas, que lhes dão prestígio perante a sociedade, ouvem rumores desfavoráveis de sua vizinhança a respeito da suposta senilidade do seu pai que, após a idade avançada, decidira tornar-se um vaishnava renunciado. Alguém falou: “Que tipo de doença é esta? Todo o tipo de felicidade há na casa dele; ele é um brahmana por nascimento, e seus filhos e membros familiares são todos obedientes a ele. Que sofrimento poderia ter dirigido tal homem a adotar uma vida de mendicante?” Os filhos, envolvidos pela maledicência dos vizinhos, tomam a decisão de buscar o pai e um deles, Devidasa acompanhado de um primo (Sambhunatha), vai a Sri Pradyumna-kunja com a intenção de resgatá-lo.
                Lá chegando, eles presenciam a manifestação de uma congregação vaishnava, que entoa muitos cantos devocionais (bhajanas), glorificando a Sri Hari, ao som de mrdangas  e karatalas. Vendo o envolvimento profundo do seu pai com tal evento, Devidasa percebe que terá dificuldade de convencê-lo em voltar para casa. Mesmo assim, no dia seguinte, ele tenta, usando da oferta de construir, próximo à casa da família, um kutira solitário, onde seu pai poderia continuar suas práticas espirituais. Porém, Lahiri Mahasaya, ciente da ausência de sadhu-sanga (associação com devotos sábios) que teria de enfrentar em sua cidade, se recusa vigorosamente a abandonar o kunja onde se encontra alojado. Ele trava então um diálogo com seu filho, ao longo do qual explica várias diferenças que existem entre as práticas espirituais que se adequam aos modos da natureza material.
                Ele começa demonstrando que há dois diferentes tipos de sadhaka (praticantes espirituais). Os vaishnavas realizam suas práticas pelo simples propósito de atingir o estágio devocional perfeito (siddha-bhakti), enquanto não-vaishnavas em geral realizam tais práticas com dois objetivos: obter desfrute material (bhoga) e liberação (moksa). No segundo caso, a mente é depurada e consegue-se felicidade material e saúde, porém, no primeiro cultiva-se prema (amor puro por Krishna). O segundo processo existe para que as pessoas que se encontram espiritualmente inconscientes, a partir da obtenção dos benefícios secundários de suas práticas, possam se sentir estimuladas a buscarem pelos efeitos primários do primeiro. Ambos estão contidos nas escrituras (sastras), as quais, por sua vez, se dirigem a diferentes adhikaras (elegibilidades) do ser humano.
                Isso significa dizer que há escrituras próprias para as diferentes necessidades do ser humano, esteja ele sob influência predominante de qualquer um dos três modos da natureza. Os sattvika-sastras são para os que estão imbuídos com a natureza da bondade (sattva-guna), os rajasika-sastras são para aqueles que se deixam envolver pela natureza da paixão (raja-guna) e ostamasika-sastras são para os que se absorvem da natureza da ignorância (tamo-guna). Devem-se respeitar as necessidades de cada um, pois a fé depende da eligibilidade da alma (adhikara) para compreender os diferentes conteúdos dos sastras, e esta pode avançar gradualmente na medida em que os momentos apropriados para tanto se façam. Após tais explicações, Lahiri Mahasaya levou seu filho ao kutira de Vaishnava dasa e o deixa, indo cantar seus mantras. Devidasa trava então contato com as instruções deste devoto, começando por apresentar sua linha de estudos.
                Ao perceber que Vaishnava dasa era um erudito estudioso e profundamente autorealizado, Devidasa se sente inspirado em estudar o Vedanta, para o que é direcionado a buscar por uma cópia do manuscrito dos comentários ao Vedanta-sutra conforme foi explicado por Caitanya Mahaprabhu para Sri Sarvabhauma. Ao levar a notícia para o pai, Devidasa ainda insiste mais uma vez em tentar conduzi-lo de volta para casa. Lahiri Mahasaya responde que só voltaria para casa quando todos por lá tivessem se tornado verdadeiros vaishnavas, já que, segundo a lógica que apresenta ao filho, o serviço realizado à Deidade de Bhagavan em sua casa deve ser classificado como componente de naimittika e não nitya-dharma. Para que uma atividade de adoração de sri-vigraha (Deidade) se caracterize como uma atividade eterna é preciso que a forma transcendental, plena do Conhecimento e bem-aventurança, de Bhagavan se revele à mente do devoto.


                Tal forma transcendental, que se revela ao devoto, manifesta-se na Deidade, de modo que, ao se tomar o darshana da mesma, é sua união com a forma de Bhagavan que aquele que dela se aproxima com devoção pode ver a partir do coração. Segundo Lahiri Mahasaya, os jnanis veem a Deidade apenas como uma estátua feita de elementos materiais, onde o brahman está presente enquanto eles a adoram, a qual, porém, volta a ser uma estátua material depois que a adoração termina. Desta forma, os resultados obtidos destes dois modos de adorar são muitos distintos e, segundo Lahiri Mahasaya, na sua casa era a adoração de Bhagavan do segundo tipo que se realizava. Seu filho compreende com sinceridade às suas colocações, sentindo-se mais confortado por conhecer a real condição do pai. Ele ainda presencia a manifestação de devoção vaishnava de um descendente de muçulmanos e ao hari-nama-sankirtana que seguiu, e sua estadia no Pradyumna Kunja continua.

Postado por Sri Krishna Madhurya às 20:48 Extraído do blog: http://religiaobhagavata.blogspot.com.br/

Jaiva-Dharma IV

Jaiva-Dharma IV

Capítulo IV
A Natureza Eterna do Vaishnava (Vaisnava-Dharma)

Lahiri Mahasaya se aloja em um kutira (cabana), próximo ao de Vaishnava dasa, porém, pouco acostumado com a vida na floresta, se amedronta perante uma cobra que vê. Seu mestre espiritual o tranquiliza, explicando que o corpo material não é eterno e, quando ele colapsa pelo desejo de Krishna, ninguém pode salvá-lo por meio de nenhum esforço. “(...) enquanto o momento designado para a morte do corpo não tiver chegado, uma cobra não pode prejudicar uma pessoa, mesma que ela esteja dormindo próxima à mesma”, disse ele. E acrescentou que um Vaishnava não deve ser temoroso, pois, se deixar que sua mente se agite com medo, como poderá fixar a atenção nos pés de lótus de Sri Krishna? O Vaishnava deve, ao contrário, elevar-se na devoção ao Senhor, tornando-se querido por todas as almas (jivas).

Ao ouvir tal consideração, Lahiri Mahasaya desejou saber mais sobre a conexão que há entre nitya-dharma e vaisnava-dharma, que lhe parecem idênticos. Então, Vaishnava dasa explica-lhe que existem dois tipos de vaisnava-dharma, um puro e outro adulterado. Ele coloca como práticas adulteradas as práticas smartas, o que inclui a sistema dapancopasana de adoração, no qual Vishnu é adorado ao mesmo tempo em que Surya, Ganesha, Shakti e Shiva. Esse sistema se baseia na realização do indefinido e sem qualidades nirvisesa-brahma, considerado como o princípio último, e seus praticantes adotam karma yoga. Desta forma, a adoração de Vishnu praticada por smartas não pode ser considerada como manifestação de suddha vaisnava-dharma, pois a adoração pura a Bhagavan Sri Krishna não pertence a karma oujnana, mas sim a suddha-bhakti (bhakti pura).
Suddha-vaisnava-dharma, por sua vez, existe de acordo com diferentes humores: dasya (servidão), sakhya (amizade), vatsalya(afeição parental) e madhurya (amor conjugal), segundo o tipo de relação que a alma experimenta com o Senhor. Portanto, a concepção pessoal da Verdade Absoluta (bhagavat-tattva) é a única que permite o serviço devocional puro (bhakti), que é referido como suddha-vaisnava-dharmanitya-dharma ou jaiva-dharma. Outros tipos de dharma, voltados ao brahman e Paramatma são naimittika, transitórios e circunstanciais.  Desejando ser instruído em torno de tais questões, Lahiri Mahasaya pede ao Babaji Mahasaya por seu abrigo e, como resposta, ouve outras instruções adicionais a respeito dos três princípios fundamentais do vaisnava-dharma: conhecimento da relação com Bhagavan (sambandha-tattva), os meios para ater à meta última (abhidheya-tatva) e a meta última em si (krsna-prema).
O Babaji explica que sambandha-tattva inclui: o mundo material (jada-jagat), as almas viventes (jivas) e Bhagavan. Bhagavan é o todo atrativo, Fonte de toda opulência e doçura, e o único abrigo das jivas. “Através de sua potência divina, conhecida como aisi-sakti, Ele manifesta as jivas e o mundo material, e então entra no mundo como Paramatma, que é sua expansão parcial”, comenta. Sem a compreensão de sambandha-jnana não pode haver devoção pura, e o Babaji Mahasaya explica por que. Ele diz, “A mais elevada realização para os Vasnavas é o desenvolvimento de bhava, o primeiro broto de prema, e a base das emoções transcendentais”. Os que buscam por fusão com o indiferenciado brahman não tem acesso a prema e suas emoções são poluídas por jnana, sendo assim, é necessário que haja compreensão de sambandha-jnana para que possa haver amor puro por Bhagavan.
O indiferenciado brahman é uma manifestação parcial e impessoal de Bhagavan, e existe simultaneamente e em harmonia com a Pessoa Suprema, que é a Absoluta Verdade. Os vaishnavas não tem fé significativa no aspecto impessoal de Deus, pois ele não permite haver prema. A forma de Sri Krishna é sac-cid-ananda, sempre existente, plena de Conhecimento e completamente bem-aventurada, e seus nascimentos não têm conexão com a matéria mundana, explicou o Babaji, que passa a responder uma série de perguntas do seu novo discípulo. Dentre as respostas que formula, ele pretende fazer Lahiri Mahasaya entender que pessoas com inteligência mundana podem interpretar e descrever de maneira deturpada aos nascimentos de Sri Hari. Os que estão verdadeiramente preparados para compreender e falar sobre os passatempos transcendentais do Senhor são os que espiritualizaram suas meditações. “Internamente, eles estão situados no mundo espiritual, enquanto meditam nos passatempos diários de Krishna e saboreiam da bem-aventurança dos seus serviços confidenciais”.
Lahiri Mahasaya pede pela misericórdia da realização espiritual (cid-anubhava), ao que o Babaji lhe instrui a abandonar toda a argumentação mental e à lógica mundana para, ao longo de alguns dias, apenas cantar sri-Krsna-nama, porém, após ter compreendidosambandha-jnana. Ao comentar os dois tipos de jiva (mukta ou liberada e baddha ou aprisionada), o Babaji radicaliza seus comentários, concluindo que apenas os Vaishnavas genuinamente se empenham a fim de ater a meta última. Neste ponto considero que realmente a compreensão de Deus que o Vaishnavismo permite é praticamente insubstituível do ponto de vista da prática transcendental, mas não se deve desprezar às demais buscas não vaishnavas e, sendo assim, me dou a liberdade de discordar do tom autoritário com que o Babaji se coloca no que se refere a este ponto. Tal percepção do vaishnavismo, infelizmente, tem gerado entre muitos devotos de Sri Krishna comportamentos sectários e de desrespeito para com outras linhas de devoção, o que de modo algum pode ser considerado saudável para o ser humano em sua totalidade, composta por tantas maneiras diferentes de se relacionar com o Senhor.

Mesmo assim, como devota de Krishna, realizo que a linha de Fé Bhagavata, estando fortemente fundamentada nos sastras (Escrituras) e contando com práticas amplamente descritas e propagadas, merece de fato ser seriamente analisada por qualquer alma sincera que busque por Deus, como Lahiri Mahasaya. Ele obteve outras explicações do Babaji, a respeito da relação da jiva com Krsna, que descreveram que aquele que está situado na sua forma espiritual perfeita (cit-svarupa), no mundo espiritual, por misericórdia do Senhor, pode beber o néctar do serviço a Ele. Instruindo-o sobre abhidheya-tattva, o mestre instrui o discípulo sobre a importância do abrigo de um verdadeiro vaishnava, que pode orientar ao devoto em sua caminhada, e eu acrescento que este precisa ser uma alma autorealizada, pois do contrário, mesmo sendo sincero em sua devoção, ainda estará sujeito às imperfeições dos seus raciocínios e lógicas pessoais, o que resulta na imperfeição da orientação que ele estará apto a dar a seus discípulos.

O Babaji ainda continua instruindo seu discípulo, mencionando os três estágios de bhakti (sadhana ou prática, bhava ou nascimento do amor divino eprema ou o estagio maduro deste amor) e algumas características de sadhana-bhakti, as quais voltam a ser abordadas mais detalhadamente em outras partes do livro. Acho importante enfatizar aqui que, conforme é colocado pelo Babaji Mahasaya,raganuga-sadhana-bhakti é o serviço impelido pelo amor espontâneo pelo Senhor, no humor dos eternos residente de Vraja, e causa um atrelamento exclusivo ao direcionamento que é dado por Sri Krishna para a vida. Neste estágio é impossível estar-se vinculado a algo que não faça parte do que Ele deseja que o devoto realize e, independente de convenções de qualquer tipo, executamos com o que temos que executar, mesmo que para isso tenhamos que revolucionar às convenções em torno da própria devoção a Sri Krishna.

Postado por Sri Krishna Madhurya às 20:48 Extraído do blog: http://religiaobhagavata.blogspot.com.br/

Jaiva-Dharma III

Jaiva-Dharma III

Capítulo III
A Natureza Temporária da Alma

                O capítulo começa descrevendo uma interação transcendental que o Sannyasi estabelece com a realidade etérico-Divina de Navadvipa, cuja ancoragem física está na Bengala Ocidental. Havia hari-nama-sankirtana e centenas de Vaishnavas cantavam e dançavam. Shiva e Brahma encontravam-se presentes, assim como Indra e outros devas. Devido à intensidade da experiência, ele decide assumir definitivamente sua Fé Bhagavata.  “Então, ele abandonou suas roupas de renunciado Mayavada, seu nome prestigioso de sannyasa, e a concepção exaltada que tinha de si mesmo”, aceitando o nome Vaishnava dasa que o Babaji Mahasaya lhe deu.

                Naquela tarde, muitos Vaishnavas vieram ver o Bababji e se encantaram com a mudança de caráter que Vaishnava dasa demonstrava. Ele rolava no chão perante os demais devotos, e concluía que a poeira dos pés dos mesmos, a água que os lavava e o néctar que emanava de seus lábios eram as medicinas e o modo de vida indicados para os aflitos pela doença da existência material. Tal era o seu estado de rendição à fé que assumira, que se fizera capaz de humildemente se colocar como alguém que vencera, através da misericórdia Vaishnava, a vaidade de seu nascimento nobre, o orgulho de sua suposta erudição e a arrogância do seu status social.
                Os outros Vaishnavas ali presentes intercambiaram com ele votos de respeito mútuo e humildade, lembrando que bhakti é acordada quando alguém se associa com devotos do Senhor.  Foi então que um cavalheiro presente ali naquela ocasião, nascido de família de brahmanas aristocrática, e que era praticante do hari-nama-sankirtana, lançou a todos uma pergunta. Ele queria saber porq              ue certos ritos religiosos dos sastras (escrituras) não são aceitos pelos Vaishnavas. O Babaji pede que seu novo discípulo responda, ao que ele começa a explicar que a natureza humana tem duas tendências com relação à busca religiosa; a primeira é vaidhi, a qual impele a pessoa a seguir as regras e regulações das escrituras, e a segunda, raganuga, causa a atração espontânea da alma por Sri Krishna.
                Enquanto a inteligência se encontra sob o controle de maya, ela está propensa a ser regulada por regras e regulações religiosas. Porém, quando a inteligência se encontra liberada de maya, ela não precisa mais ser governada por tais regulações. Na primeira condição, vaidhi ainda existe, mas na segunda é raganuga que se manifesta. Esta última tendência pertence à natureza não adulterada da alma (jiva), transcendental e livre de apegos materiais, e deve ser perseguida ardentemente pelas jivas. Devido à falsa natureza adquirida (nisarga), a jiva erroneamente se considera atrelada aos objetos mundanos, sem se sentir atraída por objetos espirituais.
As concepções de “eu” e “meu” fazem com que haja atração por pessoas e coisas que possam causar prazer ao corpo material e, ao mesmo tempo, aversão ao que não causa esse tipo de prazer. Há apego por coisas que o dinheiro pode comprar (kanaka) e por pessoas que podem satisfazer os pervertidos desejos (kamini), o que mantem a jiva sob o controle de satisfação temporária e entretenimento. Ela se mantém em samsara e, esquecida de sua natureza eterna, vaga no universo material, de acordo com os frutos do karma, nascendo e morrendo muitas vezes. Nesta miserável condição não existe raganuga, a qual, no entanto, pode ser avivada no coração de qualquer alma, Vaishnava dasa continua explicando.
 Sadhu-sanga, a associação de devotos santos, pode ter este efeito sobre a jiva condicionada, que se encontra destituída de inclinação espiritual. No entanto, como isso nem sempre é possível obter, uma parte do Veda sastra ensina que existem atividades piedosas que levam à aquisição de frutos materiais (karma); outra que o conhecimento pode levar à liberação (jnana); e outra que promove a devoção com amor e afeição por Bhagavan (bhakti). Porque as almas vivem sob diferentes condições, os sastras as proveem de distintos tipos de instruções. Os que não seguem os ensinamentos sástricos são mlecchas, incivilizados, propensos a atividades pecaminosas. Os que são elegíveis às instruções dos sastras devem entender que karma-yogajnana-yoga e bhakti-yogaformam um sistema único de yoga.
Os que adotam o caminho de karma executam atividades que têm por finalidade manter a vida pessoal, que são de dois tipos: auspiciosas (subha) e inauspiciosas (asubha). Há três tipos de subha-karma: os rituais obrigatórios (nitya-karma), os deveres circunstanciais (naimittika-karma) e as cerimônias realizadas por desejos pessoais (kamya-karma). Esta última é completamente interesseira e deve ser rejeitada, enquanto as duas primeiras são consideradas aceitáveis. A seguir o devoto apresenta o sistema devarnas e asramas, que classificam as pessoas de acordo com sua natureza (varna) e estágios da vida (asrama), e que não serão aqui comentadas, pois não serão focos da ação cotidiana dos iniciados da Sagrada Alquimia.

Interessa-nos também mencionar a distinção feita porVaishnava dasa entre a pureza do cultivo espiritual causada por nitya-dharma a uma alma considerada sem casta (candala) em comparação com atividades influenciadas pelo naimittika-dharma de certosbrahmanas. O que significa dizer que mais vale a pureza das intenções da jiva do que sua classificação em varnas asramas. Conforme o devoto dispõe, existem almas que estão espiritualmente despertas (udita-viveka) e as que estão espiritualmente inconscientes (anudita-viveka). Desde o ponto de vista das jivas que estão espiritualmente despertas, as não despertas são elegíveis a obter instruções a respeito de naimittika-dharma que, no entanto, é incompleta, adulterada, impermanente e adequada para ser rejeitada.

Não se trata de uma prática espiritual direta, mas de um conjunto de atividades materiais temporárias, que precisam ser compreendidas como meios e não fins. Ela muda a cada vida, enquantonitya-dharma é permanente e nunca muda. Aquele que se encontra espiritualmente desperto nunca aceita objetos e associações que não sejam favoráveis a sua prática espiritual, e rejeita as desfavoráveis, não aderindo cegamente às regras e regulações dos sastras. O brahmanaque tinha feito a pergunta aceitou Vaishnava dasa como seu guru, pois ficou plenamente satisfeito com a resposta que obteve, assim como todos os demais presentes.

Postado por Sri Krishna Madhurya às 20:48 Extraído do blog: http://religiaobhagavata.blogspot.com.br/

Jaiva-Dharma II

Jaiva-Dharma II

Capítulo II. A Natureza Eterna da Alma

               Continuando o estudo do Jaiva-Dharma, a partir do que se relatou a respeito do capítulo 1, na manhã seguinte ao que ali é descrito, Premadasa Babaji se encontrava imerso em vraja-bhava, servindo na Eterna Morada dos residentes de Vraja. Mas, após o meio dia, o Sannyasi Mahasaya conseguiu falar com ele, e procurou continuar o diálogo a respeito de nitya-dharma, a função constitucional eterna da jiva (alma). Ele perguntou: “Senhor, se a jiva é infinitesimal, como pode seu eterno dharma ser pleno e puro?” O Babaji, assim inquerido, explicou que embora a jiva seja infinitesimal, de fato seu dharma é pleno e eterno (nitya). Sri Krishna é a única e infinita substância e as jivas são como fagulhas que emanam de seu indivisível fogo e, portanto, a jiva é capaz de exibir a função plena da consciência. Assim como uma pequena fagulha de fogo pode iniciar um incêndio que incineraria o mundo, a jiva pode trazer uma grande inundação de amor por Sri Krishna e afogar ao mundo.

                No entanto, enquanto a jiva falha em contatar com o real objeto de suas funções espirituais, ela se torna incapaz de desenvolver tais funções e de transparecer o seu eterno dharma. O Babaji coloca que a eterna função da alma é desenvolver amor transcendental (prema) por Krishna e a natureza deste amor é o serviço devocional. As jivas existem em duas condições: em estado liberado (suddha-avastha) e em estado condicionado (baddha-avastha). E elas podem mudar frequentemente de condição, enquanto Krishna nunca muda. Ele é Supremo, completamente puro e eterno, enquanto a jiva é diminuta, suscetível à contaminação e sujeita às mudanças. Mas, o dharma eterno da jiva, ou função inadulterada, é grande, indiviso, puro e para sempre duradouro. Enquanto a jiva se mantém pura, seu dharma se mostra intacto. Mas, quando ele se torna contaminado a partir do envolvimento com maya, sua natureza verdadeira é pervertida e ele permanece oprimido por felicidade e sofrimento mundanos.
                Quando a jiva se identifica com um corpo, ela se torna egoísta e pensa: “Eu sou um brahmana; eu sou um rei; eu sou pobre; eu sou miserável; eu sou oprimido pela doença e por lamentações; eu sou uma mulher; eu sou o mestre desta ou daquela pessoa”, comentou o Babaji. E a pessoa se identifica com muitas concepções mundanas, pervertendo sua função constitucional. Tal perversão se mostra em forma mais concentrada no corpo grosseiro como os prazeres de comer, beber e travar contato com objetos dos sentidos. O dharma da alma condicionada, que assim se caracteriza, é chamado de naimittika dharma, ou função circunstancial dajiva; e ele faz parte de uma categorização dos dharmas, os quais, segundo as explicações dadas pelo sábio Babaji, são de três tipos:nitya-dharma (função eterna e primordial), naimittika-dharma (circunstancial) e anitya-dharma. Este último tipo envolve aquelas almas que não se interessam pela existência de Deus (Isvara) e não aceitam a eternidade da alma. Em naimittika-dharma há a aceitação deIsvara e da eternidade da alma, mas só se busca por Isvara através de métodos provisórios.
                Uma nova pergunta do Sannyasi conduz a conversa a um interessante aprofundamento. Ele questiona: “Eu entendo que omahabhava, que foi exibido por Sri Caitanya, é o estado mais elevado de prema concentrado. É isso diferente da aquisição da perfeição da unidade absoluta (advaita-siddhi)?” O Sannyasi era impersonalista, seguidor de Sankaracarya, e, portanto, queria entender se sua busca e a do Babaji se equivaliam.  O Babaji, após comentar direcionamentos dados por Sankaracarya, a encarnação de Mahadeva-Sankara (Shiva), que combateu à doutrina de sunyavada, fortemente propagada pelo niilismo budista, chegou ao ponto específico contido naquela mesma questão. Ele começa explicando o que é prema, uma “função através da qual duas entidades transcendentais se atraem espontaneamente uma para a outra”. Tal ideologia se apoia na aceitação de que Krishna tem sua Eterna e separada existência e as jivas também, havendo um terceiro ingrediente que é prema, através do qual aquelas duas contrapartes se relacionam. A doutrina de Sankara nega a eternidade de tal relação, pois não reconhece haver diferença entre os dois primeiros ingredientes da mesma.
                O Sannyasi Thakura que era um Mayavada, neste ponto, decide mudar suas vestimentas, pois aceita plenamente a posição de discípulo do Babaji Vaishnava, ao perceber que prema é superior à fusão impersonalista com o Brahman, pois oferece ao devoto a felicidade Eterna da relação com o Senhor. Porém, o Babaji lembra-lhe do que o próprio Senhor Caitanya ensinou, quando ele disse: “Não adote markata-vairagya (renúncia de macaco, externa) apenas para impressionar ao povo em geral”; e acrescentou que quando odharma se torna purificado, a aparência externa se faz adequadamente. "Onde há muita preocupação com a aparência externa, há desatenção com as funções internas da alma”. O Sannyasi então de imediato deixa de pensar na troca de vestimentas, e lança novo questionamento, o qual direciona seu mestre espiritual a explicar que o nitya ou jaiva-dharma, o amor não adulterado que a jiva tem pela Entidade Infinita, não é descrito por outras religiões não Vaishnavas, com o que eu concordo plenamente. Ele diz: “Não tenho visto ensinamentos sobre o amor não adulterado por Sri Krishna em nenhuma outra religião, no entanto, descrições de Krsna-prema são comumente encontradas entre os ensinamentos do Vaisnava-dharma”. Daí o porquê de estarmos realizando estes estudos, em torno de escritos das quatro Sampradayas Vaishnavas e aqui, mais especificamente, em torno do Jaiva-Dharma, de Srila Bhaktivinoda Thakura.


Embora as práticas religiosas a que nos dedicamos sejam outras, nosso objetivo essencial é o mesmo dos demais Vaishnavas, ater o amor puro (prema) por Sri Krishna. E por estar vivenciando de profundas experiências transcendentais com a Suprema Fonte de todo amor me dou a liberdade de discordar das conclusões finais deste capítulo do Jaiva-Dharma, quando o Babaji comenta que um verdadeiro Vaishnava, de acordo com as instruções de Sri Caitanya Mahaprabhu, é reconhecido pelo modo como ele canta o Sri-Krishna-nama, sendo este o único critério através do qual se pode discernir quem é um Vaishnava. Eu de fato em meus principais momentos de relação com Sri Krishna não consigo nem balbuciar às palavras do maha-mantra, devido ao descontrole externo causado pelo êxtase. E não tenho medo de me colocar entre os que pertencem à categoria dos Vaishnavas mais exaltados (uttama), embora esteja propagando ensinamentos da Sagrada Alquimia, uma linha que, embora seja completamente diferente do que existe proposto pelas quatro sampradayas,  comprovadamente pode transferir a jiva ao seu estado mais puro, transcendental e liberado, 

Postado por Sri Krishna Madhurya às 20:48 Extraído do blog: http://religiaobhagavata.blogspot.com.br/